Gestão de Design - Um desafio para designers e organizações.
A crescente necessidade de inovação no mercado competitivo deve ser motivo para preocupação, atenção e mobilização nas estruturas organizacionais. Neste contexto não são raras as más interpretações sobre o que é inovação. Para inovar não é suficiente somente criar algo com alta tecnologia. Inovar implica em dar um destino econômico e social para uma nova idéia, que pode ser ou não resultado de um invento genuíno (Prodanov apud, FREEMAN, 1982). Já a lei Nº 10.973 (lei da Inovação) conceitua Inovação como a "introdução de novidade ou aperfeiçoamento no ambiente produtivo ou social que resulte em novos produtos, processos ou serviços." Ao inovar, pode-se dizer que existe uma alteração considerável na relevância do invento. Ele passa de algo criado somente, muitas vezes sem viabilidade econômica e social de aplicação em escala, para algo que cumpre uma função social ou econômica.
Para Drucker (1997), a estrutura organizacional é diretamente proporcional a performance da organização. Assim sendo, construir e manter estruturados os processos de desenvolvimento de produto ou serviços pode ser um dos diferenciais para o sucesso das empresas. São comuns organizações, onde o conhecimento tácito prevalece sobre o explícito, gerando sérios problemas relacionados a custos, processos e a relações interpessoais. Aliados a estes problemas a velocidade do avanço tecnológico, pode vir a interferir em etapas no desenvolvimento de produto , a exemplo do tempo de contato físico com materiais, que são necessárias para um melhor entendimento e aprendizado sobre o porquê, o quê, quem, onde, quando, quanto e como determinado produto ou serviço deve ser desenvolvido. Barreto (apud Prodanov 1992, p.13) reforça que "não é a máquina ou o processo de produção com suas plantas, manuais, instruções e especificações, mas sim os conhecimentos que geraram a máquina, o processo, a planta industrial e que permitem sua absorção, adaptação, transferência e difusão". Reforçando a necessidade do conhecimento sobre o processo de criação e desenvolvimento e não somente sobre o de execução.
Segundo Norman, (2002) "A tecnologia pode mudar rapidamente, mas as pessoas mudam devagar." A evolução na Indústria gráfica é um bom exemplo. Atualmente, o profissional de tipografia física está sendo gradativamente substituído por fontes já padronizadas incluídas nos softwares de edição gráfica e de textos. Esta evolução ao mesmo tempo em que pode contribuir, também pode terminar ou pular etapas e métodos que podem dar oportunidade ao surgimento de novos produtos ou processos, através do contato físico com materiais e processos, o que com o advento da evolução tecnológica diminuiu.
Na indústria da moda, profissionais especializados em corte e modelagem de tecidos, também possuem sua relevante importância que pode se perder com esta evolução. Em projetos onde designers produzem em larga escala, a pessoa que corta o tecido com o melhor aproveitamento possível, está perdendo espaço no mercado de trabalho para o avanço tecnológico de máquinas de corte em escala industrial. No lugar deste profissional, máquinas cortam tecidos com elasticidades diferentes, composições e rendas também distintas de maneira igual. Quando deveriam respeitar os materiais num trabalho que demanda o conhecimento da técnica de quem conhece os materiais e o processo. Pode-se observar que em quase todos os processos produtivos, a criatividade, o conhecimento técnico específico e a multidisciplinariedade está presente. Precisa-se identificar e explicitar no devido momento a melhor contribuição e participação destes conhecimentos para um melhor aproveitamento das organizações.
Um dos principais desafios a serem vencidos é a dificuldade do trabalho multidisciplinar no desenvolvimento de produtos ou serviços dentro das organizações. De acordo com Preece (2005), reunir pessoas com formações diferentes, significa muito mais idéias sendo geradas e novos métodos sendo desenvolvidos.
Originalmente publicado na Rede Gaúcha de Design.
www.rgd.org.br
Maurício Andrade, gestor da RGD e pesquisador na área de gestão do design.
