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ano 6 - edição 59 - agosto/09


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Responsabilidade Socioambiental

Fábio Righetto e Christian Ullmann - 12/09/2005

E-mail
fabio@domusid.com.br / oficinanomade@uol.com.br

Dentre todas as variáveis e vertentes de design encontradas em publicações e eventos no Brasil e no mundo, gostaríamos aqui de analisar e discutir especificamente o industrial design, responsável pelo desenvolvimento de produtos obtidos através de processos industriais, modelando a cultura material para o atendimento das necessidades individuais, sociais e ambientais de nossa época.

Ao contrário do que muitos imaginam saber, a responsabilidade de um designer vai muito além do processo técnico-criativo para o desenvolvimento de um novo produto. Abrange, ou deveria abranger também os aspectos socioambientais do produto. Inclusão social, impacto ambiental (do berço ao túmulo) e coerência formal/ funcional assumem assim a mesma importância no discurso projetual de um profissional mais engajado aos problemas de seu tempo.

Se todas as definições projetuais em um desenvolvimento serão aplicadas em escala de produção em massa, fica evidente a importância do grau de consciência da empresa ou profissional contratados.

Segundo diversas organizações não governamentais, como o World Watch, o desnível social e a deterioração ambiental constituem, provavelmente, os dois maiores males mundiais do século XXI.

A cultura de consumo em países em desenvolvimento como o Brasil (sétimo maior consumidor do mundo), assemelham-se aos de países como os EUA, Japão e Alemanha. O curioso aqui é que somente 30% da população brasileira tem condições de compra acima de suas necessidades básicas.

Sobre o meio ambiente, temos somente 0,02% da água mundial considerada adequada para o consumo, e 93% da Floresta Atlântica já foi destruída.

Os recursos naturais e sociais não são, portanto, fontes inesgotáveis. É urgente a conscientização e orientação do design industrial às necessidades socioambientais com o objetivo de minimizar e, se possível, reverter o quadro atual.

Não se trata, como imaginam alguns, de uma visão heróica idealizada nem de uma perspectiva sombria a respeito da profissão. Como sempre, nossas possibilidades dependem da maneira como olhamos os fatos. Esta abordagem abre, portanto, novos e inexplorados caminhos para a profissão e para a indústria.

A focalização nas necessidades locais (transporte, moradia, saúde, vestuário, educação e lazer), desenvolvimento de tecnologia própria, descoberta de novos mercados e os selos ambientais, necessários para exportação para países europeus, são alguns dos caminhos para a diferenciação dos produtos brasileiros.

Design responsável, produção consciente e consumo adequado podem significar a preservação da qualidade de vida para as gerações futuras. A discussão sobre estes temas, concordando ou não com o que foi apresentado, é apenas o primeiro passo.

Texto desenvolvido para o evento Responsabilidade SocioAmbiental realizado pela ADP e FIESP. Setembro 2004,SP.